quarta-feira, 26 de junho de 2013

Com

Estão ela e ele no sofá, ela com a cabeça pousada no colo dele e ela com as pernas cobertas com uma manta:

-Com certeza não te incomodarás que faça um chá para nós? - disse ele.
-Não, meu amor. - disse ela.
-Queres chá de quê fofinha? - disse ele.
-Surpreende-me. Confio no teu bom gosto. - disse ela, esboçando um sorriso.
-Hum... Volto já, querida. - disse ele.

Ele dirige-se ao quarto e tira uma caixa da sua gaveta das meias e vai então em direcção à cozinha preparar a infusão. Põe a água ao lume, deixa ferver e deita dentro da água borbulhante umas folhas de Melissa, Orvalho do Mar e Jasmim. 
Ele tira um objecto de dentro da caixa que foi buscar ao quarto e põe dentro da chávena dela e verte o chá bem quente para dentro da chávena dela e depois para a sua chávena. 

-Aqui está, amor - disse ele - sem açúcar, pois tu já és doce o suficiente.
-Oh tão fofinho! Cheira muito bem. - disse ela

Ela leva a chávena aos lábios para sorver um pouco do chá e queima-se, pois o chá está muito quente e repara que por entre as folhas está algo cintilante. Não tendo colher para ajudar a retirar o objecto do fundo da chávena, visto que o chá está muito quente, é obrigada a esperar que arrefeça. Ele sempre a observar com um ar traquinas e sorridente.
Bebido o chá, ela retira o objecto circular, ainda quente, da chávena e olha para ele com uma lágrima no olho direito. 
Ele ajoelha-se diante dela e diz:

- Com a minha vida eu protejo a tua, com os meus pés, eu andarei por ti quando estiveres cansada, com as minhas mãos eu tratarei do teu corpo quando estiver magoado e a partir de hoje, meu amor, vou certificar-me que não te voltas a queimar com o chá. Casas comigo?


domingo, 20 de janeiro de 2013

Oportunidades

O que é verdadeiramente importante para ti?
Consegues fazer escolhas acertadas, pesando as consequências e pensando mais além?
Torna-se simples tomar decisões com base, apenas, na primeira ideia que temos de algo, falar sobre alguém sabendo pequenos factos acerca de uma pessoa.

Hoje tive necessidade de me afastar de ti. Naquele momento desejei não estar onde estava, mas antes em casa, sozinha, em silêncio, onde nada poderia olhar para mim e eu não teria que olhar para nada. Não me estava a sentir bem face a algo que me estava a contrariar, mas o qual não queria perturbar - mudar a tua acção "só porque eu falei".

Conheces o Principio de Heisenberg?

É impossivel conhecer a realidade sem a perturbar. O facto de os fotões, a luz, embaterem num objecto e virem de encontro ao olho não nos permite saber realmente como esse objecto seria na verdade, ou seja, como seria sem a luz. No entanto, para o vermos precisamos que haja esse fotão!
Paradoxos da existência...

E assim estava eu, a tentar vizualizar sem alterar o decorrer das coisas. Não aguentei o mal-estar no estomago e retirei-me para aquele "Lugar solitário, onde toda a verdade se apaga. Ali todo o cobarde faz força e todo o valente se caga". E aqui heis um exemplo de uma bela oportunidade perdida para ter estado "calada"!
Sem a melhoria da situação em vista ao regressar, nada mais me restava a não ser ficar em silêncio e retraindo a (enorme) vontade de por alguma razão na situação - ao qual chamaste de "aborrecida".
Nesse momento, escolho o silêncio.

Viver os dias sem pensar nos próximos anos...
Fazer um pequeno gesto todos os dias para obter resultados a muito longo prazo...
Tanta porcaria sobre isto que eu digo, porém custa por em prática.
E não me sinto nada bem quando o que digo começa a soar implicativo ou um monólogo interminável. Tal como o fotão, eu não quero interferir! Mas eu amo-te e, como te amo, lutando contra a tormenta de não interferir, prefiro faze-lo. Acabo sempre por faze-lo. Abdico da calmaria, abdico de passar para ti a ideia de que te acompanho em tudo e concordo com tudo. Eu abdico do silêncio para te dar a mão.

E não te ofereci gelado, eu sei...
ESQUECI-ME!
(é mentira, ia a pensar na melhor altura para te dar uma colher, mas parece que não houve nenhuma...)

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Oportunidades



Há oportunidades que só nos aparecem uma vez na vida, dizem. Eu acredito, pois de certo modo a vida é constituída por oportunidades, oportunidades únicas. Temos a nossa vida construída através de oportunidades quer sejam elas aproveitadas ou não.
Uma má decisão irá incidir no nosso futuro tanto quanto uma boa decisão, portanto há que saber aproveitar não é, meu amor?
Supondo que uma oportunidade te leva para longe de mim... Irá saber a mil facas afiadas espetadas no meu coração, mas é pelo Bem Maior e sei que a médio/longo prazo daria frutos e voltaríamos a estar juntos, a tua cabeça bem enterrada no meu peito felpudo a ronronar.
As testemunhas de Jeová também batem à porta em busca de uma oportunidade de passar o testemunho e partilhar a sua experiência certo? Estou certo também que se abríssemos a porta e ouvíssemos o que têm a dizer aprenderíamos muito!


Meu amor, um feliz ano novo!





sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Como

Como o tempo tem passado tão depressa, não é, meu amor?
E como Tudo tem conspirado a nosso favor, dando-nos não só oportunidades como também desafios todos os dias, para que aproveitemos esta nossa existência frágil e nos fortaleçamos juntos. Todos os dias descobrir um novo dia, diferente do anterior, com novos problemas e novas soluções por resolver e encontrar. Isto, sim, é viver! Viver em constante aprendizagem, fazendo upgrades ao nosso Eu mantendo a sua essência.
É extremamente importante manter a essência do Eu, de quem somos, dessas características que fazem com que uma uva seja uma uva e não uma cereja, por exemplo. Não ter receio de mostrar o Eu é igualmente relevante. E eis a prova desta tese:
"...Se, naquele dia em que pela primeira vez o teu Eu se agitou ao ser confrontado com o meu Eu, eu não tivesse dado largas à emoção e ignorado todas e quaisquer inseguranças que sentia, não me terias prestado atenção, não me terias descoberto. Não teria havido interesse e resposta de volta. Como poderias saber que em mim residia aquilo que procuravas para te completar, se eu não to tivesse mostrado? Se não tivesse sido Eu?..."
Não quero dizer que tenhamos que ser livros abertos ao mundo, transparentes a tudo, claro. Há que ir construindo gradualmente as afinidades. E não só, há que dar oportunidades também. E eis outra prova desta tese:
"...No passado, obviamente, apesar de atraída,  ter-te-ia rejeitado imediatamente. Nada te podias dar de bom, quanto mais a mim. Eu não tinha o tipo de força necessária para te orientar e em ti não existia sequer a vontade. Eras uma pequena aldeia em ruínas, abandonada, apenas povoada por ervas daninhas e destinada a contar historias do passado através das paredes que ainda estavam de pé. Um local que eu jamais iria visitar, não fosse saber que aí os solos eram férteis e ricos, ansiando por fazer crescer a semente certa...."
Assim, a descoberta do outro é progressiva, como tudo, aliás, e assim é a tentativa-e-erro. Por outro lado, tal como nos investimentos que as empresas fazem, saber avaliar o risco já é uma jogada não só de sorte, mas também de experiência. Olhar para ti, durante os primeiros momentos fugazes da possibilidade de sentimentos, e saber se valias ou não o meu esforço, o meu tempo? Se ias retirar de mim instrumentos úteis para ti e se me ias dar em troca os que me faltavam?
Paixão vs Razão! Nada mais.

A verdade é que foste o maior risco que alguma vez corri, mas és hoje a Paixão tornada Amor e a Razão feita Sentido, para todo o meu esforço, todo o meu tempo.
A parreira tem-se enrolado e crescido forte pelos teus muros acima. Todos os anos há uvas cheias e suculentas a brotar em cada recanto desta bela aldeia onde moro. A reconstrução foi um sucesso, mas há sempre que fazer, tanto pela aldeia como por quem lá mora.

E fica tudo tão leve e sereno quando penso em ti...
Tenho saudades tuas, volta depressa.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Falha

Falha?
É falha o teu riso ser tão alto e parvinho?
Não.
Porque haveria de ser? Eu gosto.
É adorável a maneira como tu te ris, tão verdadeira e acriançada. A maneira como o teu nariz se arreganha quando ris às gargalhadas, soberbo!
A falha é relativa.
O que para mim pode ser uma falha, para ti é o mundo, tal como o teu sorriso para mim. Não há volta a dar.
As falhas são aquilo que nos define e nos distingue de cada um. Não vou tentar corrigir as tuas falhas, pois são elas que me fazem amar-te do jeito que te amo.
As tuas falhas são como um amor perfeito, semeado num lugar sombrio, mas que depois floresce num belo amanhecer roxo e verde.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Verdadeiro


   Não há mais nada a dizer sobre tal assunto. A opinião e conselho foram expressados incontáveis vezes.
   O erro é repetido. A falha repetida. A frustração mantém-se.
   Falo de ti. Falo de mim.
   O teu erro, eliminatório e alvo de grande contestação, jamais passando incólume, é por mim espremido até ao tutano da sua existência.
   O meu erro, passageiro e remediável, jamais aceitado, é por mim estrangulado até que do seu sumo saia solução.
   E nisto, cheira a laranjas. O aroma de queijadas de laranja invade o ar e relembra-me das regras que sigo, regras essas para meu próprio bem. E sigo-as. Custa começar, por vezes custa continuar, mas o sucesso virá e, ao vir, é igual àquela sensação de dever cumprido após uma tarde de limpeza do pó. Não me permito grandes devaneios. Se quero viver a "vida optimizada" preciso de ter controlo, mesmo quando me abandono ao prazer, o que só ocorre após todas as seguranças serem activadas.
   Cheira-me a jantar, neste fim de tarde de Primavera. Cheira-me aos alhos louros na frigideira, que acompanham o belo bife que lá estará. Mas este cheiro, que parte da cozinha e chega pela janela, não é para mim. É esta disciplina estóica a que me proponho de livre vontade. Venha o que quiser, estarei firme.
   Meu amor imperfeito, relembras-me do que é ser eu. Trazes-me a realidade ao olhar e as guias bases do dia a dia: aprender pelo Método da Falha. Melhorar pelo Método da Falha. Sendo que a condição que se impõe para a aplicação correcta deste método é a perseverança. Ajuda-me a ser a tua perseverança, sendo a minha quando a força me faltar. Não fiques de lábios cerrados, senão terei que lhes bater e magoa-los quando o turbilhão ascender. Aceita-te fraco, sem seres mole face a isso, mas aceita-te quando és inferior. Ensina-me! E triunfaremos de novo...


   Vem, meu amor. Dá-me a mão e vamos comer laranjas este Verão, deitados em verdes campos de esperança.

terça-feira, 20 de março de 2012

Preto



Preto era o meu coração antes da tua luz
Todo eu era escuro como o breu
Mas tu viste
E tornaste-te no verdadeiro Eu.

Tiraste-me, resgataste-me
Enquanto eu descia para a minha descida
Rapidamente
Como o sangue que corre pela minha carótida.

Nessa altura era o mártir
Da minha própria crença
Que o amor prevalece
No coração dos verdadeiros da Doença.

Doença sim
Aquela doença preta, negra
À qual chamamos Amor
Aquele delicioso ardor…

Mesmo na minha hora mais negra
Mesmo quando eu tinha sucumbido
Tu apareces na tua tolice
E trazes-me de volta deixando-me agradecido.


Se não fosses tu, onde eu já estava
Minha parvinha e doidinha
Minha coisinha fofa gostosa
Tão doce e tão fogosa!

Estou-te eternamente grato
Meu coração de Leoa
Sou teu durante a nossa vida inteira
E quando a nossa vida acabar, pago a dívida na Morte.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Porquê

Porque se te fores, não levarás uma parte de mim.
Nem uma metade, como se fossemos o yin yang.
Não levarias o preto do branco ou o branco do preto em mim.

Levarias um pouco do azul, do laranja e do vermelho em mim.
Muito do verde e tanto do roxo.
Como uma plasticina misturada de várias cores, levarias muito de mim.

Pedaços, cartilagem, fibra muscular e fiapos de mim.
Sonhos, esperanças, razão de rompante.
O saciar da necessidade básica de viveres em mim.
Minha Alma e meu Amante.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Tão

Como é que escrever pode ser tão difícil?
Estou aqui a tentar escrever desde que acordei, mas não me ocorre nada... Sabes porquê?
"As memórias são tantas que temos que esquecer algumas para dar lugar a outras igualmente maravilhosas e únicas."
Às vezes parece que me esqueço das coisas, mas não é verdade, basta um empurrãozinho muito pequenino para me lembrar! Sabes... São tantas as memórias, momentos e experiências maravilhosas passadas junto a ti que o meu CPU cerebral não consegue processar!
Sou mesmo burrinho dizes tu mas o outro diz, "Burro burro mas sabe-a toda!".


You get it, don't you?

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Pescoço

Sabes bem como eu adoro frango assado e como estou sempre à espera que o almoço seja frango!
E como sabe tão bem quando, depois de acordar cedo e não tomar pequeno-almoço, chegar e ser frango... contigo! Sim, nada melhor do que "frango contigo".

De repente, o frango passa para segundo plano e só te vejo a ti no meu prato. Não estivesse ninguém e estarias logo coberto de cenoura ralada e eu a babar cenoura ralada e... um caos!
Pois, mas limito-me a olhar para a pele do pescoço do pedaço no meu prato e como tudo. Tudo. Tudo dentro do limite, já que nunca posso comer da forma que eu gosto. Triturar. Limpar ossos.

Enquanto te levantas, distraído, e vestes o casaco, não vês o ar maléfico na minha cara, enquanto me ponho atrás de ti e...

domingo, 11 de dezembro de 2011

É Minha

Como um tigre macho
Eu tenho-te como minha fêmea
Para usar e abusar
Fazer-te o que quiser a meu belprazer
Abocanhar esse pescoço
Quando estiver esfomeado
Deitar-te na Posição
E rugir à Escuridão
Dentro da minha grande pata
Eu te tenho, minha e segura
Bem apertada
Quente e bem tratada
Nem sempre sou eu que domino
Também tu me cravas as garras
No lombo, no peito
Rasgando pêlo e musculo
Quando outro macho
Te fareja e para ti caminha
Luto com o forte corpo
E rujo de fúria: "É MINHA!"