(...) «Na vida de cada homem», dizia ele, «só existe uma mulher com quem é possível conseguir a união perfeita e, na vida de cada mulher, só existe um homem com quem pode sentir-se completa». Todavia, poucos, muito poucos, acabavam por se encontrar. Os outros eram obrigados a viver num estado de insatisfação, de nostalgia perpétua. «Quantos encontros haverá assim», dizia ele na escuridão do quarto, «um em dez mil, um num milhão, um em dez milhões?» Um em dez milhões, sim. Os outros são ajustamentos, simpatias epidérmicas, transitórias, afinidades físicas ou de carácter, convenções sociais. Depois destas considerações, repetia constantemente: «Que sorte nós tivemos, hem? Quem sabe o que haverá por detrás disto, quem sabe?»
No dia da partida, enquanto esperávamos pelo comboio na minúscula estação, abraçou-me e sussurrou-me ao ouvido: «Em que vida nos conhecemos já?» «Em muitas», respondi-lhe eu, e comecei a chorar. (...)
SUSANNA TAMARO, em "Vai aonde te leva o coração"
Aquece-me, nestes dias de verão...
3 anos, Nox Et Anima.