Estão ela e ele no sofá, ela com a cabeça pousada no colo dele e ela com as pernas cobertas com uma manta:
-Com certeza não te incomodarás que faça um chá para nós? - disse ele.
-Não, meu amor. - disse ela.
-Surpreende-me. Confio no teu bom gosto. - disse ela, esboçando um sorriso.
-Hum... Volto já, querida. - disse ele.
Ele dirige-se ao quarto e tira uma caixa da sua gaveta das meias e vai então em direcção à cozinha preparar a infusão. Põe a água ao lume, deixa ferver e deita dentro da água borbulhante umas folhas de Melissa, Orvalho do Mar e Jasmim.
Ele tira um objecto de dentro da caixa que foi buscar ao quarto e põe dentro da chávena dela e verte o chá bem quente para dentro da chávena dela e depois para a sua chávena.
-Aqui está, amor - disse ele - sem açúcar, pois tu já és doce o suficiente.
-Oh tão fofinho! Cheira muito bem. - disse ela
Ela leva a chávena aos lábios para sorver um pouco do chá e queima-se, pois o chá está muito quente e repara que por entre as folhas está algo cintilante. Não tendo colher para ajudar a retirar o objecto do fundo da chávena, visto que o chá está muito quente, é obrigada a esperar que arrefeça. Ele sempre a observar com um ar traquinas e sorridente.
Bebido o chá, ela retira o objecto circular, ainda quente, da chávena e olha para ele com uma lágrima no olho direito.
Ele ajoelha-se diante dela e diz:
- Com a minha vida eu protejo a tua, com os meus pés, eu andarei por ti quando estiveres cansada, com as minhas mãos eu tratarei do teu corpo quando estiver magoado e a partir de hoje, meu amor, vou certificar-me que não te voltas a queimar com o chá. Casas comigo?
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