domingo, 17 de agosto de 2014

E

... quanto mais tenho de ti, mais quero ter. Que prazer partilhar contigo todas as manhã da rotina. A doçura de retornar a casa junto de ti. Cada ovo cozido e lata de atum comidos à noite, na rua, enquanto regressamos. Cada banana ou maçã partilhadas em qualquer lado. Cada pacote de leite com chocolate e manteiga de amendoim escolhidos em conjunto.
Esta dinâmica que temos vindo a construir ao longo dos últimos 4 anos não tem preço e é única. Assim como a natureza se forma de maneira espontânea e "natural", assim vamos nós crescendo um no outro e com o outro, aprendendo e ensinando mutuamente um ao outro. É tão bom ser heroína e tu o meu sidekick. E inverter esse papel conforme a situação.
É tão bom confiar em ti as minhas dificuldades e, por vezes, poder voltar a ser criança. Porque, de vez em quando, eu preciso de regressar à minha infância - tenho tanto dela dentro de mim que não quero perder. Sabendo que tu terás sempre a situação sobre controlo e tomarás conta de mim, é tão bom que nos encontremos algures pelo caminho e nos divirtamos imenso sendo os dois crianças de novo. Eu sou tu e tu és eu, mantendo, no entanto, as diferenças que nos tornam indivíduos únicos e que suportam a nossa simbiose. A tolerância aos erros e o orgulho nas conquistas andam de mãos dadas, bem como o espírito de sacrifício nas alturas difíceis e o desejo de aventura nos tempos calmos.
Quero-te tanto. Esta vida simples e cheia de riqueza que vivo, esta forma de encarar o dia-a-dia que tenho, o equilíbrio, paz e harmonia que sinto mesmo através das adversidades é tudo graças à tua existência na minha viva. A tua dedicação, o teu coração, a beleza do ser que és... És para mim como uma Obra que tenho vindo a ajudar a pintar, sendo tu o seu próprio pintor. Pincelada a pincelada vais-te melhorando, belo, e eu sou feliz, muito feliz, por te poder proporcionar variadas perspectivas. E como gosto de ti! Tanto de ti!

Aventuras únicas vamos vivendo, pois sempre que estamos juntos algo novo se passa. E diverti-mo-nos imenso! Seja numa simples viagem do dia-a-dia, seja num roteiro campista de 1 semana pela costa vicentina e algarvia, seja numa tenda e a fazer jantar ao ar livre, seja em caminhadas sem rumo certo, de chinelos e tralha às costas... E não precisamos de mostrar todos estes momentos em publicações na internet, nem abrir à força a ostra que contém a pérola deste Nox et Anima... Basta a quem esteja na nossa presença sentir a nossa linguagem corporal e mental, presenciar a troca de piadas e sinaizinhos que só nós conhecemos. O Yin e o Yang a transformarem-se um no outro conforme lhes apeteça, sem que nós mandemos nesta iteração. É tanto o sentimento... Só nosso, só para nós, mas que nos dá armas para encarar o exterior de outra forma.


Temos ainda tanto trabalho pela frente, nesta vida futura que exige muita luta! E vamos conseguir o sucesso. Mesmo que tenhamos que passar algum tempo afastados no futuro, será para nosso bem individual e conjunto. Estás tão presente nas minhas memórias e nas minhas acções, passe o tempo que passe. O que és e me dás é tão único. É tão Eu. Assim como gosto muito de mim, jamais quereria ficar sem mim, logo jamais sairás de mim. És o meu verdadeiro e único amigo (excluindo pois a família próxima), o meu amigo rapaz das parvoíces e javardices, o amigo confidente e conselheiro, o gajo no poster gostoso na minha parede, o namorado cheiroso e apaixonado, o tipo cocky que toma conta da situação quando eu não sei o que fazer, aquele com quem é possível falar de temas interessantes ou simplesmente não dizer nada de jeito, o moço que tem diversos conhecimentos e aptidões para partilhar, o amante intenso e sedutor, o que observa e dá apoio incondicional quando me ponho à prova...
E quanto mais tenho de ti, mais quero ter.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

De


Tenho medo. Medo do silêncio, medo do eterno silêncio e da eterna escuridão.

Da indiferença.

A tua mão fervente não me toca e os teus lábios não me sabem ao mesmo... A minha bússola não encontra o seu Norte.

Sinto-me como a Ursa Menor sem a Estrela Polar!

A minha boca custa a abrir, pois os grilhões da culpa me prendem as mandíbulas. Não sei o que dizer, não sei o que fazer, custa-me ver o meu gémeo sofrer...

Sinto tremores e frio... Sinto-me a afogar...

Não te vou deixar fugir, não te vou deixar ir embora do mundo que criei só para nós, um mundo secreto em que tu és Rainha e eu o Rei, onde o Universo conspira contra nós e onde nós lutamos contra o Universo!

Um mundo onde tudo envelhece e nós permanecemos eternamente jovens e o nosso amor cresce exponencialmente e temos solução para tudo.

Onde todos os dias de manhã acordas com um tabuleiro na mesinha de cabeceira com uma omelete acabadinha de fazer, uma chávena de leite quentinho e uma rosa com um bilhetinho de amor.



quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Manta

(...) «Na vida de cada homem», dizia ele, «só existe uma mulher com quem é possível conseguir a união perfeita e, na vida de cada mulher, só existe um homem com quem pode sentir-se completa». Todavia, poucos, muito poucos, acabavam por se encontrar. Os outros eram obrigados a viver num estado de insatisfação, de nostalgia perpétua. «Quantos encontros haverá assim», dizia ele na escuridão do quarto, «um em dez mil, um num milhão, um em dez milhões?» Um em dez milhões, sim. Os outros são ajustamentos, simpatias epidérmicas, transitórias, afinidades físicas ou de carácter, convenções sociais. Depois destas considerações, repetia constantemente: «Que sorte nós tivemos, hem? Quem sabe o que haverá por detrás disto, quem sabe?»
No dia da partida, enquanto esperávamos pelo comboio na minúscula estação, abraçou-me e sussurrou-me ao ouvido: «Em que vida nos conhecemos já?» «Em muitas», respondi-lhe eu, e comecei a chorar. (...)

SUSANNA TAMARO, em "Vai aonde te leva o coração"



Aquece-me, nestes dias de verão...
3 anos, Nox Et Anima.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Com

Estão ela e ele no sofá, ela com a cabeça pousada no colo dele e ela com as pernas cobertas com uma manta:

-Com certeza não te incomodarás que faça um chá para nós? - disse ele.
-Não, meu amor. - disse ela.
-Queres chá de quê fofinha? - disse ele.
-Surpreende-me. Confio no teu bom gosto. - disse ela, esboçando um sorriso.
-Hum... Volto já, querida. - disse ele.

Ele dirige-se ao quarto e tira uma caixa da sua gaveta das meias e vai então em direcção à cozinha preparar a infusão. Põe a água ao lume, deixa ferver e deita dentro da água borbulhante umas folhas de Melissa, Orvalho do Mar e Jasmim. 
Ele tira um objecto de dentro da caixa que foi buscar ao quarto e põe dentro da chávena dela e verte o chá bem quente para dentro da chávena dela e depois para a sua chávena. 

-Aqui está, amor - disse ele - sem açúcar, pois tu já és doce o suficiente.
-Oh tão fofinho! Cheira muito bem. - disse ela

Ela leva a chávena aos lábios para sorver um pouco do chá e queima-se, pois o chá está muito quente e repara que por entre as folhas está algo cintilante. Não tendo colher para ajudar a retirar o objecto do fundo da chávena, visto que o chá está muito quente, é obrigada a esperar que arrefeça. Ele sempre a observar com um ar traquinas e sorridente.
Bebido o chá, ela retira o objecto circular, ainda quente, da chávena e olha para ele com uma lágrima no olho direito. 
Ele ajoelha-se diante dela e diz:

- Com a minha vida eu protejo a tua, com os meus pés, eu andarei por ti quando estiveres cansada, com as minhas mãos eu tratarei do teu corpo quando estiver magoado e a partir de hoje, meu amor, vou certificar-me que não te voltas a queimar com o chá. Casas comigo?


domingo, 20 de janeiro de 2013

Oportunidades

O que é verdadeiramente importante para ti?
Consegues fazer escolhas acertadas, pesando as consequências e pensando mais além?
Torna-se simples tomar decisões com base, apenas, na primeira ideia que temos de algo, falar sobre alguém sabendo pequenos factos acerca de uma pessoa.

Hoje tive necessidade de me afastar de ti. Naquele momento desejei não estar onde estava, mas antes em casa, sozinha, em silêncio, onde nada poderia olhar para mim e eu não teria que olhar para nada. Não me estava a sentir bem face a algo que me estava a contrariar, mas o qual não queria perturbar - mudar a tua acção "só porque eu falei".

Conheces o Principio de Heisenberg?

É impossivel conhecer a realidade sem a perturbar. O facto de os fotões, a luz, embaterem num objecto e virem de encontro ao olho não nos permite saber realmente como esse objecto seria na verdade, ou seja, como seria sem a luz. No entanto, para o vermos precisamos que haja esse fotão!
Paradoxos da existência...

E assim estava eu, a tentar vizualizar sem alterar o decorrer das coisas. Não aguentei o mal-estar no estomago e retirei-me para aquele "Lugar solitário, onde toda a verdade se apaga. Ali todo o cobarde faz força e todo o valente se caga". E aqui heis um exemplo de uma bela oportunidade perdida para ter estado "calada"!
Sem a melhoria da situação em vista ao regressar, nada mais me restava a não ser ficar em silêncio e retraindo a (enorme) vontade de por alguma razão na situação - ao qual chamaste de "aborrecida".
Nesse momento, escolho o silêncio.

Viver os dias sem pensar nos próximos anos...
Fazer um pequeno gesto todos os dias para obter resultados a muito longo prazo...
Tanta porcaria sobre isto que eu digo, porém custa por em prática.
E não me sinto nada bem quando o que digo começa a soar implicativo ou um monólogo interminável. Tal como o fotão, eu não quero interferir! Mas eu amo-te e, como te amo, lutando contra a tormenta de não interferir, prefiro faze-lo. Acabo sempre por faze-lo. Abdico da calmaria, abdico de passar para ti a ideia de que te acompanho em tudo e concordo com tudo. Eu abdico do silêncio para te dar a mão.

E não te ofereci gelado, eu sei...
ESQUECI-ME!
(é mentira, ia a pensar na melhor altura para te dar uma colher, mas parece que não houve nenhuma...)

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Oportunidades



Há oportunidades que só nos aparecem uma vez na vida, dizem. Eu acredito, pois de certo modo a vida é constituída por oportunidades, oportunidades únicas. Temos a nossa vida construída através de oportunidades quer sejam elas aproveitadas ou não.
Uma má decisão irá incidir no nosso futuro tanto quanto uma boa decisão, portanto há que saber aproveitar não é, meu amor?
Supondo que uma oportunidade te leva para longe de mim... Irá saber a mil facas afiadas espetadas no meu coração, mas é pelo Bem Maior e sei que a médio/longo prazo daria frutos e voltaríamos a estar juntos, a tua cabeça bem enterrada no meu peito felpudo a ronronar.
As testemunhas de Jeová também batem à porta em busca de uma oportunidade de passar o testemunho e partilhar a sua experiência certo? Estou certo também que se abríssemos a porta e ouvíssemos o que têm a dizer aprenderíamos muito!


Meu amor, um feliz ano novo!





sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Como

Como o tempo tem passado tão depressa, não é, meu amor?
E como Tudo tem conspirado a nosso favor, dando-nos não só oportunidades como também desafios todos os dias, para que aproveitemos esta nossa existência frágil e nos fortaleçamos juntos. Todos os dias descobrir um novo dia, diferente do anterior, com novos problemas e novas soluções por resolver e encontrar. Isto, sim, é viver! Viver em constante aprendizagem, fazendo upgrades ao nosso Eu mantendo a sua essência.
É extremamente importante manter a essência do Eu, de quem somos, dessas características que fazem com que uma uva seja uma uva e não uma cereja, por exemplo. Não ter receio de mostrar o Eu é igualmente relevante. E eis a prova desta tese:
"...Se, naquele dia em que pela primeira vez o teu Eu se agitou ao ser confrontado com o meu Eu, eu não tivesse dado largas à emoção e ignorado todas e quaisquer inseguranças que sentia, não me terias prestado atenção, não me terias descoberto. Não teria havido interesse e resposta de volta. Como poderias saber que em mim residia aquilo que procuravas para te completar, se eu não to tivesse mostrado? Se não tivesse sido Eu?..."
Não quero dizer que tenhamos que ser livros abertos ao mundo, transparentes a tudo, claro. Há que ir construindo gradualmente as afinidades. E não só, há que dar oportunidades também. E eis outra prova desta tese:
"...No passado, obviamente, apesar de atraída,  ter-te-ia rejeitado imediatamente. Nada te podias dar de bom, quanto mais a mim. Eu não tinha o tipo de força necessária para te orientar e em ti não existia sequer a vontade. Eras uma pequena aldeia em ruínas, abandonada, apenas povoada por ervas daninhas e destinada a contar historias do passado através das paredes que ainda estavam de pé. Um local que eu jamais iria visitar, não fosse saber que aí os solos eram férteis e ricos, ansiando por fazer crescer a semente certa...."
Assim, a descoberta do outro é progressiva, como tudo, aliás, e assim é a tentativa-e-erro. Por outro lado, tal como nos investimentos que as empresas fazem, saber avaliar o risco já é uma jogada não só de sorte, mas também de experiência. Olhar para ti, durante os primeiros momentos fugazes da possibilidade de sentimentos, e saber se valias ou não o meu esforço, o meu tempo? Se ias retirar de mim instrumentos úteis para ti e se me ias dar em troca os que me faltavam?
Paixão vs Razão! Nada mais.

A verdade é que foste o maior risco que alguma vez corri, mas és hoje a Paixão tornada Amor e a Razão feita Sentido, para todo o meu esforço, todo o meu tempo.
A parreira tem-se enrolado e crescido forte pelos teus muros acima. Todos os anos há uvas cheias e suculentas a brotar em cada recanto desta bela aldeia onde moro. A reconstrução foi um sucesso, mas há sempre que fazer, tanto pela aldeia como por quem lá mora.

E fica tudo tão leve e sereno quando penso em ti...
Tenho saudades tuas, volta depressa.