terça-feira, 17 de dezembro de 2013

De


Tenho medo. Medo do silêncio, medo do eterno silêncio e da eterna escuridão.

Da indiferença.

A tua mão fervente não me toca e os teus lábios não me sabem ao mesmo... A minha bússola não encontra o seu Norte.

Sinto-me como a Ursa Menor sem a Estrela Polar!

A minha boca custa a abrir, pois os grilhões da culpa me prendem as mandíbulas. Não sei o que dizer, não sei o que fazer, custa-me ver o meu gémeo sofrer...

Sinto tremores e frio... Sinto-me a afogar...

Não te vou deixar fugir, não te vou deixar ir embora do mundo que criei só para nós, um mundo secreto em que tu és Rainha e eu o Rei, onde o Universo conspira contra nós e onde nós lutamos contra o Universo!

Um mundo onde tudo envelhece e nós permanecemos eternamente jovens e o nosso amor cresce exponencialmente e temos solução para tudo.

Onde todos os dias de manhã acordas com um tabuleiro na mesinha de cabeceira com uma omelete acabadinha de fazer, uma chávena de leite quentinho e uma rosa com um bilhetinho de amor.



quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Manta

(...) «Na vida de cada homem», dizia ele, «só existe uma mulher com quem é possível conseguir a união perfeita e, na vida de cada mulher, só existe um homem com quem pode sentir-se completa». Todavia, poucos, muito poucos, acabavam por se encontrar. Os outros eram obrigados a viver num estado de insatisfação, de nostalgia perpétua. «Quantos encontros haverá assim», dizia ele na escuridão do quarto, «um em dez mil, um num milhão, um em dez milhões?» Um em dez milhões, sim. Os outros são ajustamentos, simpatias epidérmicas, transitórias, afinidades físicas ou de carácter, convenções sociais. Depois destas considerações, repetia constantemente: «Que sorte nós tivemos, hem? Quem sabe o que haverá por detrás disto, quem sabe?»
No dia da partida, enquanto esperávamos pelo comboio na minúscula estação, abraçou-me e sussurrou-me ao ouvido: «Em que vida nos conhecemos já?» «Em muitas», respondi-lhe eu, e comecei a chorar. (...)

SUSANNA TAMARO, em "Vai aonde te leva o coração"



Aquece-me, nestes dias de verão...
3 anos, Nox Et Anima.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Com

Estão ela e ele no sofá, ela com a cabeça pousada no colo dele e ela com as pernas cobertas com uma manta:

-Com certeza não te incomodarás que faça um chá para nós? - disse ele.
-Não, meu amor. - disse ela.
-Queres chá de quê fofinha? - disse ele.
-Surpreende-me. Confio no teu bom gosto. - disse ela, esboçando um sorriso.
-Hum... Volto já, querida. - disse ele.

Ele dirige-se ao quarto e tira uma caixa da sua gaveta das meias e vai então em direcção à cozinha preparar a infusão. Põe a água ao lume, deixa ferver e deita dentro da água borbulhante umas folhas de Melissa, Orvalho do Mar e Jasmim. 
Ele tira um objecto de dentro da caixa que foi buscar ao quarto e põe dentro da chávena dela e verte o chá bem quente para dentro da chávena dela e depois para a sua chávena. 

-Aqui está, amor - disse ele - sem açúcar, pois tu já és doce o suficiente.
-Oh tão fofinho! Cheira muito bem. - disse ela

Ela leva a chávena aos lábios para sorver um pouco do chá e queima-se, pois o chá está muito quente e repara que por entre as folhas está algo cintilante. Não tendo colher para ajudar a retirar o objecto do fundo da chávena, visto que o chá está muito quente, é obrigada a esperar que arrefeça. Ele sempre a observar com um ar traquinas e sorridente.
Bebido o chá, ela retira o objecto circular, ainda quente, da chávena e olha para ele com uma lágrima no olho direito. 
Ele ajoelha-se diante dela e diz:

- Com a minha vida eu protejo a tua, com os meus pés, eu andarei por ti quando estiveres cansada, com as minhas mãos eu tratarei do teu corpo quando estiver magoado e a partir de hoje, meu amor, vou certificar-me que não te voltas a queimar com o chá. Casas comigo?


domingo, 20 de janeiro de 2013

Oportunidades

O que é verdadeiramente importante para ti?
Consegues fazer escolhas acertadas, pesando as consequências e pensando mais além?
Torna-se simples tomar decisões com base, apenas, na primeira ideia que temos de algo, falar sobre alguém sabendo pequenos factos acerca de uma pessoa.

Hoje tive necessidade de me afastar de ti. Naquele momento desejei não estar onde estava, mas antes em casa, sozinha, em silêncio, onde nada poderia olhar para mim e eu não teria que olhar para nada. Não me estava a sentir bem face a algo que me estava a contrariar, mas o qual não queria perturbar - mudar a tua acção "só porque eu falei".

Conheces o Principio de Heisenberg?

É impossivel conhecer a realidade sem a perturbar. O facto de os fotões, a luz, embaterem num objecto e virem de encontro ao olho não nos permite saber realmente como esse objecto seria na verdade, ou seja, como seria sem a luz. No entanto, para o vermos precisamos que haja esse fotão!
Paradoxos da existência...

E assim estava eu, a tentar vizualizar sem alterar o decorrer das coisas. Não aguentei o mal-estar no estomago e retirei-me para aquele "Lugar solitário, onde toda a verdade se apaga. Ali todo o cobarde faz força e todo o valente se caga". E aqui heis um exemplo de uma bela oportunidade perdida para ter estado "calada"!
Sem a melhoria da situação em vista ao regressar, nada mais me restava a não ser ficar em silêncio e retraindo a (enorme) vontade de por alguma razão na situação - ao qual chamaste de "aborrecida".
Nesse momento, escolho o silêncio.

Viver os dias sem pensar nos próximos anos...
Fazer um pequeno gesto todos os dias para obter resultados a muito longo prazo...
Tanta porcaria sobre isto que eu digo, porém custa por em prática.
E não me sinto nada bem quando o que digo começa a soar implicativo ou um monólogo interminável. Tal como o fotão, eu não quero interferir! Mas eu amo-te e, como te amo, lutando contra a tormenta de não interferir, prefiro faze-lo. Acabo sempre por faze-lo. Abdico da calmaria, abdico de passar para ti a ideia de que te acompanho em tudo e concordo com tudo. Eu abdico do silêncio para te dar a mão.

E não te ofereci gelado, eu sei...
ESQUECI-ME!
(é mentira, ia a pensar na melhor altura para te dar uma colher, mas parece que não houve nenhuma...)

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Oportunidades



Há oportunidades que só nos aparecem uma vez na vida, dizem. Eu acredito, pois de certo modo a vida é constituída por oportunidades, oportunidades únicas. Temos a nossa vida construída através de oportunidades quer sejam elas aproveitadas ou não.
Uma má decisão irá incidir no nosso futuro tanto quanto uma boa decisão, portanto há que saber aproveitar não é, meu amor?
Supondo que uma oportunidade te leva para longe de mim... Irá saber a mil facas afiadas espetadas no meu coração, mas é pelo Bem Maior e sei que a médio/longo prazo daria frutos e voltaríamos a estar juntos, a tua cabeça bem enterrada no meu peito felpudo a ronronar.
As testemunhas de Jeová também batem à porta em busca de uma oportunidade de passar o testemunho e partilhar a sua experiência certo? Estou certo também que se abríssemos a porta e ouvíssemos o que têm a dizer aprenderíamos muito!


Meu amor, um feliz ano novo!